Cineclube Sertão Itinerante: Documentário sobre práticas sustentáveis no semiárido é exibido em Lagoa Nova

IMG_0972Dando sequência as exibições realizadas nas áreas de reforma agrária, o Cineclube Sertão Itinerante esteve no dia 26 de setembro, no Assentamento Lagoa Nova, distrito de Manituba. Na ocasião foi exibido naquela comunidade o documentário “Práticas Sustentáveis no Semiárido”, que apresenta práticas de manejo dos recursos naturais (solo, água e cobertura vegetal), relatando a experiência da família Garcia, na comunidade Penedo, São José do Sabugi-PB.
IMG_0985Os depoimentos e histórias apresentadas no documentário falam das experiências dessas comunidades no sistema de agroflorestas, no qual permite os agricultores tirar do campo a sustentabilidade da família através do roçado permanente. Além de milho e feijão, se produz frutas, verduras, forragem para os rebanhos, sem uso de agrotóxicos, usando defensivo natural. Essa prática sem sido possível a partir da construção de barragem subterrânea, que permite armazenamento de água no subsolo por um maior período, produzindo mais alimento para as famílias, além de pastagem pro rebanho através da silagem. Todas essas experiências relatadas permitiram o desenvolvimento de práticas sustentáveis preocupadas com a preservação do meio ambiente no semiárido. Plantações consorciadas com variedades de plantas, banco de sementes de plantas frutíferas, nativas e alimentares.

Essa experiência das comunidades do sertão paraibano tem sido difundida através das visitas de intercâmbio que sempre acontecem na região. São trocas de conhecimentos entre os agricultores de maneira organizada em prol de uma melhor qualidade de vida no campo.
Após a exibição do documentário a mediação ficou por conta do agricultor Benedito Vitoriano, morador da comunidade de Várzea do Meio, convidado pelo projeto, para apresentar suas impressões do filme, além de relatar sua experiência enquanto agricultor, preocupado com a sustentabilidade e necessidade de manter as pessoas no campo.
IMG_0919Segundo Benedito, os relatos que o documentário apresentou sobre as práticas sustentáveis, muitas delas, são conhecidas em nossa região. Mas infelizmente, hoje muita coisa está se perdendo. Isso precisa ser conhecido pelos mais jovens para que possa ser preservado, para que a nossa cultura e modo de vida no campo permanecem apesar de tanta destruição e degradação do nosso semiárido e toda a sua biodiversidade. Temos que colocar a tecnologia a favor do homem do campo, mas preservando a nossa identidade sertaneja, e não introduzindo algo que venha descaracterizar e destruir a nossa vida no campo. Como temos visto avançar, por exemplo, o uso de veneno, que além de destruir nosso solo e plantas, acaba envenenando os rios e riachos, causando o aumento de doenças. Isso deveria ser diferente, deveríamos viver em harmonia com o meio ambiente e não contribuindo para a destruição da terra mãe, destacou.
IMG_0957Outro aspecto que o mediador destacou, e que também comentou na sua fala, foi quando o filme abordou as práticas do banco de sementes. Segundo Benetido, essa experiência o seu pai, já falecido, nunca esperava pela semente do governo, que já tem veneno, ele guardava sua semente para ai cair às primeiras chuvas fazer logo a plantação de sua roça. Um conhecimento e uma tecnologia simples, mas muito eficaz, para garantir uma produção saudável e mais rápida, pois não precisamos ficar esperando pela distribuição de sementes do governo. Precisamos incentivar em nossas comunidades e assentamentos essa prática de guardar as nossas sementes. Enfim, estou muito satisfeito de participar desse momento onde podemos falar de nossas experiências de agricultor e aprender a partir do que o documentário destacou, e trocar conhecimentos com outros socializando nossos saberes, ressaltou.

IMG_0963Ainda durante o debate, o coordenador do Cineclube, Neto Camorim, refletiu sobre a necessidade urgente de conhecer as práticas de sustentabilidades já desenvolvidas em nossa região para que possamos entender e valorizar o semiárido em toda a sua biodiversidade. O cinema, a escola, cada comunidade pode contribuir para mudar essa realidade de devastação em nosso sertão. Essas experiências relatadas no filme são possíveis serem desenvolvidas aqui em nosso sertão. Só precisamos de mais consciência, organização e acreditar na força do trabalho coletivo. Quero muito agradecer a comunidade de Lagoa Nova e a todos que estão presentes nessa noite de novena de seu padroeiro São Francisco, para assistir esse documentário, que nos permitiu fazer essa conversa sobre as práticas sustentáveis no semiárido. Meu agradecimento a todos, ressaltou Neto Camorim.

O projeto cineclube sertão itinerante é uma realização da Ong. Iphanaq com o apoio cultural do Governo do Estado do Ceará, através da SECULT e do SESC-Ler de Quixeramobim.
Neto Camorim – Coordenador do Cineclube Sertão Itinerante
Fotos: Elistênio Alves e Edmilson Nascimento